Questões sobre a obra de João Guimarães Rosa
Questão 1
LiteraturaUSF2018“Quando Guimarães Rosa publicou seu primeiro livro, Sagarana, em 1946, duas vertentes assinalavam o panorama da ficção brasileira: o regionalismo e a reação espiritualista. A obra do escritor mineiro vai representar uma síntese feliz das duas vertentes. Como os regionalistas, volta-se para os interiores do país, pondo em cena personagens plebeias e 'típicas', a exemplo dos jagunços sertanejos. Leva a sério a função da literatura como documento, ao ponto de reproduzir a linguagem característica daquelas paragens. Porém, como os autores da reação espiritualista, descortina largo sopro metafísico, costeando o sobrenatural, em demanda da transcendência.”
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/352114-livro-explica-guimaraes-rosa-e-sua-principal-obra-leiacapitulo.shtml (adaptado).Dos contos da obra inaugural de Rosa, é correto afirmar que os três aspectos abordados no fragmento do artigo lido – regionalismo, linguagem inovadora e presença do sobrenatural -, aparecem, com destaque, no conto
Questão 2
LiteraturaUNIEVA2015Leia o excerto a seguir para responder à questão.
Tudo enxergara, tomando ganho da topografia. Os três seriam seus prisioneiros, não seus sequazes. Aquele homem, para proceder da forma, só podia ser um bravo sertanejo, jagunço até na espuma do bofe. Senti que não me ficava útil dar cara amena, mostras de temeroso. Eu não tinha arma ao alcance. Tivesse, também, não adiantava. Com um pingo no |, ele me dissolvia. O medo é a extrema ignorância em momento muito agudo. O medo. O medo me miava. Convidei-o a desmontar, a entrar.
ROSA, João Guimarães. Famigerado. In. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988. p. 13. (Adaptado).Qual característica da linguagem de Guimarães Rosa se verifica no fragmento transcrito?
Questão 3
LiteraturaUFAL2013Grande sertão: veredas, do escritor mineiro João Guimarães Rosa, é considerado um romance que renova a narrativa brasileira, em especial, a narrativa de caráter regionalista que tinha como espaço de suas ações o sertão. Leia atentamente o trecho transcrito. Dadas, em seguida, as afirmações acerca desse romance,
“O senhor... Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão.”
ROSA. João Guimarães. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986, p. 15.I. Em Grande sertão: veredas, a narrativa se pauta na transformação, tudo está em contínua mudança, as personagens, a paisagem, as relações pessoais e profissionais.
II. Grande sertão: veredas é marcado, principalmente, pela linguagem bastante inovadora, no que concerne à sintaxe e à seleção vocabular, com muitos arcaísmos e neologismos.
III. O romance de Guimarães Rosa tem como principal tema a seca, que assola o sertão, provocando mudanças na paisagem e muitos sofrimentos para os personagens centrais, os camponeses Riobaldo e Diadorim.
IV. Este é o único romance da obra de Guimarães Rosa, autor que escreveu principalmente contos, reunidos, entre outros, nos livros Primeiras estórias e Tutameia: terceiras estórias.
verifica-se que estão corretas
Questão 4
LiteraturaUSF2019Analise o que se afirma a respeito de duas obras lidas para este exame, Sagarana, de João Guimarães Rosa, e Vidas secas, de Graciliano Ramos. Sobre elas, é correto afirmar que
Questão 5
LiteraturaUNEMAT2009Nos nove contos que compõem o livro Sagarana,Guimarães Rosa realiza um inventário lingüístico do sertão e da língua portuguesa, recriando a linguagem, modificando e inventando palavras. Os elementos da natureza e o tratamento da linguagem são recursos estéticos importantes por contribuírem para a formulação das personagens, de modo a adequá-las aos ambientes onde vivem. Considerando o conto “Sarapalha”, assinale a alternativa correta a respeito da coincidência entre a descrição da natureza e a crise de febre de Primo Argemiro.
Questão 6
LiteraturaCAMPO REAL2021Leia o seguinte excerto, retirado de Sagarana (1946), de Guimarães Rosa.
Carta de Guimarães Rosa a João Condé, revelando segredos de Sagarana
[...]
Rezei, de verdade, para que pudesse esquecer-me, por completo, de que algum dia já tivessem existido septos, limitações, tabiques, preconceitos, a respeito de normas, modas, tendências, escolas literárias, doutrinas, conceitos, atualidades e tradições – no tempo e no espaço. Isso, porque: na panela do pobre, tudo é tempêro. E, conforme aquêle sábio salmão grego de André Maurois: um rio sem margens é o ideal do peixe.
Aí, experimentei o meu estilo, como é que estaria. Me agradou. De certo que eu amava a língua. Apenas, não a amo como a mãe severa, mas como a bela amante e companheira. O que eu gostaria de poder fazer (não o que fiz, João Condé!) seria aplicar, no caso, a minha interpretação de uns versos de Paul Eluard: ... “o peixe avança nágua, como um dedo numa luva” ... Um ideal: precisão, micromilimétrica
E riqueza, oh! riqueza... Pelo menos, impiedoso, horror ao lugar-comum; que as chapas são pedaços de carne corrompida, são pecados contra o Espírito Santo, são taperas no território do idioma.
Mas, ainda haveria mais, se possível (sonhar é fácil, João Condé, realizar é que são elas...): além dos estados líquidos e sólidos, porque não tentar trabalhar a língua também em estado gasoso?!
Àquela altura, porém, eu tinha de escolher o terreno onde localizar as minhas histórias. Podia ser Barbacena, Belo Horizonte, o Rio, a China, o arquipélago de Neo-Baratária, o espaço astral, ou, mesmo, o pedaço de Minas Gerais que era mais meu. E foi o que preferi. Porque tinha muitas saudades de lá. Porque conhecia um pouco melhor a terra, a gente, bichos, árvores. Porque o povo do interior – sem convenções, “pôses” – dá melhores personagens [...].
(ROSA, Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, s.d., p. 7-8.)Com base no excerto e na leitura integral de Sagarana, é correto afirmar que a linguagem empregada por Guimarães Rosa obedece primordialmente a: